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sábado, 4 de setembro de 2010
Balé Folclórico da Bahia
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Terminei Budapeste
Terminei de ler “Budapeste” de Chico Buarque
Mil desculpas aos meus amigos que não falam (ou lêem) Português, mas depois de ler este livro tão maravilhoso no momento chave, o único jeito de honrá-lo é com um blog em Português.
Meu primeiro livro de Buarque foi uma sugestão do meu (sexy) professor de Português, que falou que era fácil de ler e que tinha um filme sobre o livro também. Buarque, como um artista popular Brasileiro, realmente tem talento demais — ele é compositor, revolucionário, cantor, produtor, escritor... de tudo. Até agora, adorei tudo o que eu conheço dele (suas letras de musica são geniais!), tem olhos verdes que chegam até a minha alma e tem um sotaque carioca liiiindo. Então, naturalmente, achei boa idéia de ler seu último livro, e terceiro romance.
*Eu gostei do livro por que é simples de ler, tem uma prosa encantadora, uma historia interessante, trata de um homem estrangeiro adotando uma língua diferente da sua, todas as mulheres são musas e tem um final surpresa.
O protagonista Jose Costa tem uma voz forte, mas passiva, poeticamente Brasileira (Carioca) e um caráter similar ao meu. A forma com que ele descreve as coisas é honesta e cândida. O historia é única, com um escritor-fantasma Carioca que viaja, converte-se em escritor fantasma em húngaro. Ele tem uma vida no Rio e uma vida em Budapeste que no final unem-se em um livro surpresa J
Eu gostei do livro pela voz poética de Buarque, a qual é narrada por Costa. Apesar de sempre separar o narrador do autor, neste livro é simplesmente impossível fazer isso. Realmente não á distinção entre Chico, o autor do livro neste mundo, e Jose Costa, o presumido autor de Budapeste. Onde começa Jose e onde termina Chico? Audazmente, Chico consegue expressar seu amor pelas palavras no livro, usando Jose como substituto. Explorando os elementos literários usados em Budapeste, chego a compará-lo com o livro do James Joyce ‘Portrait of an Artist as a Young Man’. [[como meu livro preferido. Uma grande honra, hehe]] A narração, as circunstâncias, a sedução, os reflexos (espelhos) de frases/situações e ironias do livro são cativadoras e agregam muitas dimensões. Isso faz com que a leitura dos dois livros sejam uma experiência profunda.
Também adorei as narrativas das impressões que Jose Costa tem como um estrangeiro e amante. Ele é um estrangeiro e amante em casa, um estrangeiro e amante na rua, um estrangeiro e amante nos livros, um estrangeiro e amante com a língua e suas palavras.
Assim como eu, seu nome muda, de Jose Costa to ZsoZe Kosta, sua vida passada parece não existir, empenha-se em (e consegue) aprender na língua (tropeçando varias vezes), tenta compreender a cidade (fazendo sua própria interpretação), e se apaixona por uma mulher do lugar (do Rio e de Budapeste).
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Jose Costa, casado com Vanda, uma linda tele-jornalista, mora no Rio de Janeiro e trabalha como um escritor fantasma. Às vezes aceitando sua vida na sombra, às vezes expressando sua frustração em não ter êxito próprio, ele fica paralisado em um conflito interno, eterno. Num dia é convidado pra um ‘encontro internacional de escritores anônimos’ onde ele descobre um mundo gris de anonimato e frustração compartilhada onde consegue ser compreendido/se sente estranhamente cômodo.
Voltando da reunião, seu vôo tem uma parada imprevista em Budapeste e ele resolve ficar na cidade amarela por um tempo. Aqui ele é bem-recebido por um casal perigosamente amigável, pelo Danúbio e por uma fascinação pela língua (magiar) húngara. Num dia na livraria ele conhece Kristina Fülemüle, Kriska, que se converte em sua tutora de (magiar) húngaro e depois em sua amante e que o batiza de Zsozé Kosta. (ficante, hehehe)
Depois de um tempo em Budapeste, ele volta para o Rio, só pra saber que um livro que ele escreveu sobre suas aventuras com centenas de mulheres foi publicado por um rapaz alemão com quem ele trabalhava, que seu filho Joaquinzinho esta ainda maior e que Vanda trabalha em São Paulo.
‘O Ginografo’ é um êxito no Brasil. Trata de uma autobiografia de Kaspar Krabbe, que recém-chegado da Alemanha no Brasil, escreve no corpo das mulheres que encontra e assim vai aprendendo português. Mesmo sua mulher (Vanda) já leu o livro mais de 30 vezes, e esta fascinada com ou autor Alemão, o que enfurece Jose.
Durante uma festa de Ano Novo, ele não consegue controlar sua ira e fala pra sua mulher que foi ele o autor do livro. No mesmo momento ele se arrepende e escapa pra a orla do mar, faz um pedido impossível a Iemanjá e resolve voltar pra Budapeste.Agora em Budapeste, abandonado à sua sorte por Vanda, ele procura por Kriska ate desmaiar na rua. Inconsciente no chão e embaixo de chuva, Kirska o encontra e o coloca dentro de casa. Kosta acorda, doente e ferido, mas feliz de estar com ela outra vez. Depois de um tempo, ele melhora e consegue emprego no Clube das Artes como subalterno e gravador. Gravando e observando os artistas que freqüentam o Clube, com ajuda de Kriska e da inspiração gerada pela sua nova língua, Kosta resolve começar a escrever de novo, desta vez em húngaro.
Voltando a sua tradição de escritor fantasma, publica um livro com o nome do Kocsis Ferenc, autor famoso em Budapeste. “ Titkos Háramsoros Versszakok” ou “Tercetos Secretos”—um livro do poemas escrito completamente em húngaro — também é um êxito e é bem recebido pelo público exceto por Kriska, o que enfurece Zsoze.
Enquanto saboreava seu segundo êxito como fantasma, Kosta averigua que o reunião anual dos escritores fantasmas é em Budapeste. Ele vai e chega a delatar que ou autor do ‘Terceiros Segredos’ é ele, sem se importar com o fato de que Kocsis Ferenc estava na mesma reunião.
Essa mesma noite, Kosta é deportado de volta a Brasil.
Sim poder ir a casa de sua mulher ou seu escritório, fica num hotel procurando alguma saída. Depois de uns dias, finalmente ele recebe uma chamada inesperada que o leva de volta pra Budapeste. Surpreendido no aeroporto por câmeras e seguidores, Jose Costa é reconhecido como o autor de um novo livro chamado ‘Budapeste’. Igualmente confuso e orgulhoso, ele aceita o êxito/atenção e sua humilhação pelo mesmo homem que ele humilhou. O livro autobiográfico é uma narração da sua experiência na cidade, sua relação com Kriska e outros detalhes impossíveis, mas certos, que ele não tem como explicar.
No final, ele lê o livro para Kriska, lendo pela primeira vez seu terceiro êxito.
*My reflections on the book are missing, but those I would much rather discuss IF you read the book, hehe*
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Eu adorei os seguintes passagens (ainda faltam mais) e no livro me inspirou pra traduzi-los só pra explorar meu próprio entendimento e pra demonstrar quanto realmente, e infelizmente, é perdido na tradução:
Para algum imigrante, o sotaque pode ser uma desforra, um modo de maltratar a língua que o constrange. Da língua que não estima, ele mastigara as palavras bastantes ao seu oficio e ao dia-a-dia, sempre as mesmas palavras, nem uma a mais. E mesmo essas, haverá de esquecer no fim da vida, para voltar ao vocabulário da infância. Assim como se esquece o nome de pessoas próximas, quando a memória começa a perder água, como uma piscina se esvazia aos poucos, como se esquece o dia de ontem e se retém as lembranças mais profundas.
Mas para quem adotou uma nova língua, como uma mãe que se selecionasse, para quem procurou e amou todas as suas palavras, a persistência de um sotaque era um castigo injusto.
Para algunos inmigrantes, el acento puede ser una clase de venganza, una forma de abusar de la lengua que lo paraliza (limita). Si no estiman la lengua, ellos solo masticarán suficientes palabras para del trabajo y de día-a-día, siempre las mismas palabras, ni una más. Y de estas mismas, se olvidaran al final de la vida, para volver al vocabulario de la infancia. Así como se olvidan los nombres de personas cercanas, cuando la memoria empieza a perder agua, como una piscina se vacía lentamente, como se olvida el día de ayer y solo se retienen los más profundos recuerdos.
Pero para quien adoptó una nueva lengua, como una madre que se escogiera/seleccionara, a quien buscó y amó todas sus palabras, la persistencia de un acento era un castigo injusto.
For some immigrants, an accent could be revenge, a way of abusing the language that constrains them. Language that is does not esteemed, they will chew enough words for the office and for day-to-day use, always the same words, not one more. And these (same) ones will be forgotten by the end of life, to return to the vocabulary of childhood. Just like one forgets the name of close friends, when the memory begins to lose water, as a pool empties slowly, the same way one forgets yesterday and retains the deepest memories.
But for those who adopted a new language, like a mother that were chosen/selected, who sought and loved all the words, the persistence of an accent was an unjust punishment.
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Porque minha mão seria sempre a minha mão, quem escrevia por outros eram como luvas minhas, da mesma forma que o ator se transveste em mil personagens, para poder ser mil vezes ele mesmo.
Porque mi mano siempre sería mi mano, que al escribir por otros eran como mis guantes, al igual que el actor se disfraza en mil personajes para poder ser si mismo mil veces.
Because my hand would always be my hand, which when writing for others would be like my gloves, like the actor disguised in a thousand characters, only to be himself a thousand times.
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Eu bicava palavras aqui e ali de línguas que conhecera, um pouco assim como um recém-solteiro sai a revisitar antigas namoradas.
Yo recitaba palabras aquí e allá de lenguas que conocía, un poco así como un recién-soltero sale a revisitar antiguas enamoradas.
I uttered words here and there of languages I knew, a bit like a returning-bachelor goes out to revisits old girlfriends.
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devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira
debería de ser prohibido criticar/ridiculizar a quien se aventura en lengua extranjera
it should be prohibited to criticize/ridicule anyone that ventures in a foreign tongue
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e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa.
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Cobri o texto com as mãos e fui removendo os dedos a cada milímetro, fui abrindo as palavras letra a letra como jogador de pôquer filando cartas, e eram precisamente as palavras que eu esperava. Então tentei as palavras mais inesperadas, neologismos, arcaísmos, um puta que o pariu sem mais nem menos, metáforas geniais que me ocorriam de improviso, e o que mais eu concebesse já se achava ali impresso sob minhas mãos. Era aflitivo, era como ter um interlocutor que não parasse de tirar palavras da minha boca, era uma agonia. Era ter um plagiário que me antecedesse, ter um espião dentro do crânio, um vazamento na imaginação.
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Minhas impressiones depois de ler o livro:
foi a dar a Budapeste graças a um pouso imprevisto.
terminou aquele livro. ficou com o zil na cabeça. riu á beça. se transverte em mil personagens, para poder ser mil vezes ela mesma. é morena. odeia no homem glabro. recitava um poema conhecido da platéia. quer olhar o Danúbio. nunca tenha visto corpo tão branco em sua vida. nem sequer sabe dizer não em húngaro. escreveu em sua pele. é o mapa de uma pessoa. acendeu um cigarro de Fecske e emudeceu. viszontlátásra!
virava as folhas com sofreguidão. tem veneta de pronunciar a palavra zsívem. tem a cara respingada de lama. saltou em Újpest-Városkapu. egy... kettö... három... négy. precisa ajustar o ouvido a novo idioma, negando todos os outros. falsifica sua própria escrita. tem uma oferenda inútil na mão. quer conhecer semântica, semiologia, e a hermenêutica. vai pra casa de Senhora Fülemüle.
bebeu Tokaj no divã. não acredita. fala magiar castiço. ouviu seis línguas diferentes. rebobinava a última fita. feddhetetlen. esquece o dia de ontem. escrevia como se andasse em sua casa. pediu algum papel com urgência. esbarrou nuns brutamontes ao redor da mesa. escreveu com acento estrangeiro. preferiu humilhá-lo com a poesia. esta chegando quase. não tem que falar numa palavra. expirou todo ar que tinha. Não é autora do livro.
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